sexta-feira, 7 de novembro de 2008

REVOLTA BRANCA


Após a histórica eleição de Barack Obama, o primeiro negro a assumir a presidência do país mais poderoso do planeta, era possível notar uma intensa movimentação em uma pequena cabana no meio de um pântano no estado americano do Mississipi. Haviam tochas, muitos homens usando capuzes ridículos e gritos de fúria carregados de um sotaque caipira sulista:

– Isso é um absurrrrrrrrdo! – gritou um homem no fundo da sala repleta de cadeiras e pessoas, em direção a um homem de capuz vermelho que estava à frente e no centro do cômodo.
– Eu sei irrrrrmão! A hegemonia de nossa raça está ameaçada. Não podemos permitirrrrr que esta palhaçada continue – retrucou o homem do capuz vermelho.
– Então, o que nós devemos fazerrrrrr? – perguntou um gorducho sentado na primeira fileira.
– Nós sulistas precisamos nos unirrrrr para derrubarrrrrrr esse tarrrr de Obama “mother fucker” e manter a raça branca soberana. E eu tenho um prano infalíverrrr! – disse o líder de capuz vermelho.

Todos os presentes naquela sala ficaram apreensivos diante daquela notícia, esperando por um plano extraordinário para assassinar o mais novo presidente. Foi então que o sujeito de capuz vermelho apontou para o canto da sala onde se encontrava um homem de braços cruzados usando um macacão surrado e com uma suástica tatuada no braço. O homem mascava tabaco e tinha os dentes podres; aproximou-se do centro da sala, ao lado do líder, e deu uma cusparada em seu sapato. Com uma voz grave, começou o discurso:

– Cambada de caipiras, estou aqui porque a incompetência de suas ações permitiram que um negro se tornasse presidente da grande pátria branca. Eu ajudarei a traçar um plano de ataque para revertermos esta situação.

Todos os presentes começaram a bater os pés no chão com força e gritavam em uníssono “KKK! KKK! KKK!”. O chão de madeira tremia e as tochas balançavam de um lado a outro na parede. O homem então levantou a mão pedindo silêncio e continuou o seu discurso:

– Caros arianos, eu proponho algo que ninguém jamais viu. Eu proponho levantarmos muitas cruzes em chamas na frente da casa branca. Vamos fazer aquele homem sair de lá de dentro e depois vamos surrá-lo e pendurá-lo em uma árvore – e terminou o discurso babando e com os olhos arregalados.

Na sala só havia silêncio. Uns olhavam para os outros, então todos começaram a gritar de maneira convulsiva e repetiam: “Vamos fazer churrasco do Obama!”. Todos se levantaram aos berros, pulavam e chacoalhavam tudo, até que uma das tochas caiu sobre uma lamparina e o fogo se espalhou rapidamente pelo lugar. Era possível ver muitos homens de capuz em chamas, pulando por uma pequena janela para cair diretamente no pântano – para dentro da boca dos aligatores. Os que não conseguiram sair se amontoaram na janela em posições um tanto constrangedoras para morrer. O churrasco estava servido.

Na manhã seguinte, o xerife do condado chegou com mais uma porção de policiais. A cabana estava em cinzas e os corpos dos homens estavam amontoados uns sobre os outros. Alguns estavam de quatro, outros estavam por trás tentando chegar até a janela. Ao ver aquela cena, o xerife cuspiu e resmungou algo entre os dentes:

– Malditas bichas brancas! Morreram queimadas enquanto trepavam... Ainda bem que eu votei no Obama.

2 comentários:

Daniel disse...

Obama Rules!!!

Carlitos disse...

Sou Obama desde criancinha!!