domingo, 1 de junho de 2008

DEPOIS DA CASCA, A PRISÃO!

Primeiramente, digo olá a todos que conseguem ler este acre Blog. E digo mais, digo que devem ser gratos por ler e terem acesso a ele. Não somos como o limão, mas somos azedos tanto quanto.

Na sexta última cheguei da faculdade, liguei a tv onde passava uma série de reportagens de uma emissora que todos nós conhecemos. Sim, esta mesmo. A reportagem era sobre a situação carcerária no país. Eu me interessei, afinal, ninguém sabe o dia de amanhã. E por incrível que pareça era sobre a situação das mulheres. OH, CALMA! Não estou pensando em cometer algum crime, mas quem sabe um dia eu venha a entender porque aquelas 25 mil presas – a maioria por tráfico de drogas – se deixaram levar pela influência de seus queridos, amados, idolatrados, “salve, salve!”, maridos, namorados ou “ficantes” que também são traficantes, delinqüentes, infratores, etc. Mas esse não é o objetivo da minha indignação.

Muitas destas mulheres entram grávidas ou ficam neste estado na prisão, e lá têm seus filhos. A lei permite que elas permaneçam com eles por um tempo a fim de que possam amamentá-los – varia de acordo com o Estado – onde o máximo permitido é de três anos.

Na reportagem, apareceu um garoto de dois anos de idade (se não me engano) que reclamava querer sair para ver a rua, pois NUNCA tinha saído da prisão, NUNCA tinha visto o quão é “redonda a liberdade". A sua liberdade resultou em sair de um lugar muito apertado (ventre materno) para ficar em outro lugar mais apertado e pior (uma cela), "pagando" por um crime que recebeu por tabela: a ver paredes, sem nunca ter tocado em árvores, sentido o mar, ou pior, sem ao menos saber o que é conviver com crianças – como é comum nesta idade. Quem sabe se ele estivesse deste lado de cá sua realidade se limitaria à prisão econômica compulsoriamente imposta, mas mesmo assim teria acesso há um destino psicológico diferente.

Não quero discutir aqui se a culpa é do governo, dos diretores ou da própria mãe, porque penso que todos nós temos culpa, seja direta ou indireta, se num futuro ele vier a cometer algum crime. Esses anos passados na cadeia serão descontados? Path!

É como se ele fosse um aspirante a pintinho de uma fazenda de avicultura, onde a GALINHA da sua mãe não tomou nenhuma atitude quando o viu ir para a frigideira sem ter oportunidade de nascer dignamente, talvez este menino ainda não tenha de fato nascido. Mas não podemos colocar toda a culpa na galinha, ela pelo menos não pensa.

Vendo isso, senti uma dor nas asas em pensar que um dia elas possam ser cortadas ou engaioladas, ou que um dia eu poderia ser impedida de usá-las sem ao menos ter noção de que elas servem para voar, ou pior, que o meu dinheiro banca esse tipo de coisa que eu não quero para mim, nem para os meus filhos, nem para os meus netos...

-Tssss!

3 comentários:

Daniel disse...

Infelizmente as pessoas ainda fazem as coisas sem pensar. Não se tocam que, para quem não tem grana e comete um crime, o destino é um só: cadeia!

Mesmo assim, todos nós temos liberdade de escolha e essas mulheres escolheram esse caminho (independente de quem as tenha influenciado). O problema todo é que a escolha errada delas culminou na falta de liberdade dos próprios filhos.

O sistema pode ter culpa, mas eu não sou o sistema e nem você, logo não somos culpados pelas escolhas erradas destas pessoas. Eu não fiz nada para que ela escolhesse traficar. Você fez?

Talvez procurar a culpa seja mais ou menos como discutir o sexo dos anjos.

Liberdade de escolha sem consciência é igual a desastre.

dárlinton disse...

tem gente que nasce no iraque, afeganistão, coréia do norte, favela da rocinha e até nos presídios brasileiros. realmente é uma boa crítica sobre uma realidade que pode determinar a vida dessas crianças. Essas mães deveriam ter mais apoio para que suas crias não acabem na "galinhada".

Carlitos disse...

Controle de natalidade já!!! Afinal, quem não cumpre seus deveres não tem nenhum tipo de direito...nenhum.